terça-feira, 5 de maio de 2015

A UBER e o futuro

Uma juíza revogou ontem, 05\05\2015, a liminar que havia sido concedida pela 12ª Vara Cívil da cidade de São Paulo determinando a suspensão do UBER, um aplicativo para chamar serviços de transporte individual por carros. A liminar notificava ainda as empresas Google, Apple, Microsoft e Samsung para que tirassem o aplicativo de suas lojas virtuais, sob pena de multa diária de R$100 mil em caso de desobediência.
A liminar revogada atendia à ação impetrada pelo Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi do Estado de São Paulo, que alega concorrência desleal, insegurança ao usuário e o não pagamento de impostos e demais taxas a que estão sujeitos os serviços de táxi oficial.
Mas o que vem a ser a UBER?
A empresa, uma startup na área tecnológica, foi criada em 2009 pelos estadunidenses Garret Camp e Travis Kalanick.
Em sua gênese a UBER deveria ser um serviço de transporte em carros de luxo. Para isso só aceitavam cadastro de carros como Mercedes S550 e outros do gênero. E exigiam do motorista algumas condições de trato, comportamento e conhecimentos. Em 2010 lançaram o aplicativo para iPhone.7 e Android.
Em 2010 e 2011 a UBER recebeu de anjos investidores e venture capitalists, cerca de 50 milhões de dólares.
No ano seguinte, 2012, novos avanços.
Seus serviços chegaram a Londres, foram ampliados para chamar táxis convencionais na cidade de Chicago e passaram a oferecer serviços de táxi aéreo, por helicóptero, entre Nova Iorque e Hamptons por US$3 mil.
A UBER chegou ao Brasil em maio de 2014, na cidade do Rio de Janeiro, de olho na Copa do Mundo. A tarifa mínima para se utilizar os serviços UBER em 2014 era de R$13,50. Em comparação com os serviços convencionais de táxi suas tarifas eram mais altas. A bandeirada (tarifa básica) era cobrada a R$5,40 contra R$4,80 dos taxis convencionais. O quilometro rodado custava R$2,76 contra R$1,95 do táxi comum.
No final de junho de 2014 o serviço chegou a São Paulo.
A UBER não é pioneira no Brasil no uso do E-hailing que é como se denominam os aplicativos com localizadores GPS para chamar serviços de táxi. Já existiam vários aplicativos em uso para chamar táxi no país como o Easy Taxi e o 99 Taxi, os mais conhecidos.
Qual é então a questão?
Trata-se de um ponto de vista legalista, ou seja, aqueles que pagam licenças específicas para oferecer esses serviços reclamam desse tipo de concorrência que nada paga ao poder público para fazer a mesma coisa. Faz sentido, uma vez que os aplicativos acima citados servem apenas para chamar táxis registrados como tal nos municípios. Já a UBER aceita inscrições de particulares tendo como exigência apenas o preenchimento das características do carro e do motorista.
Mas faz sentido também do outro ponto de vista: o dos avanços tecnológicos. Sabemos todos que de há muito a sociedade perdeu, por exemplo, o hábito de escrever cartas e postá-las nos correios. As tarifas mais baixas dos telefones – mesmo antes do celular – contribuíram para isso. Mas foi a Internet, a partir dos anos 1990 que selou de vez o fim das cartas em papel, via correio. A possibilidade de se mandar email em tempo real para o exterior ou para um estado distante dentro do país nos fez esquecer as cartas. Hoje então, com tudo disponível nos smartphones, nem se pensa mais em papéis para comunicação com aqueles a quem amamos ou com quem trabalhamos.
E as fotografias em filmes celuloides e reveladas em papel?
Bem, a Kodak não entrou na Justiça para interromper a fabricação de câmeras digitais. Quando os celulares se configuraram em câmeras de nitidez impensada a Kodak já estava de joelhos com seus filmes e papéis de revelação. Tampouco os correios reclamaram da Internet. E Kodak e Correios são dois símbolos sofridos da transformação promovida pela tecnologia.
Claro, no caso dos táxis existem alegações legais, coisas e tais. Faz sentido. E sempre fará. Mas é do avanço das tecnologias. Para o bem e para o mal.
Quando surgiu a máquina a vapor e os trens de carga e passageiros os criadores de cavalos ficaram, com razão, preocupados. Com a chegada dos automóveis, muitos gritaram que era o fim do cavalo. Sim, pode ter diminuído o volume de animais no mundo. Mas o cavalo não desapareceu.
Nos anos 2000 há uma tendência do uso de motocicletas para o pastoreio de gado, seja ele vacum ou caprino, em regiões que vão da Austrália ao sertão do Nordeste brasileiro.
Sem entrar na questão do futuro de longo prazo e das energias esgotáveis, volto à UBER.
Trata-se de uma tendência para diferentes serviços oferecidos à sociedade. Aos poucos eles serão regulamentados. E surgirão em moda passageira ou para ficar. Pensemos nos Foodtruck. Os restauranteurs não se abalaram. Trataram de entrar no clima ou investir eles mesmo em unidades móveis como apêndice de suas casas. Poderia ir longe no tema, mesmo sem entrar na questão do fim da venda de bilhetes aéreos através de agências. Quem precisa das agências com as ofertas das cias aéreas diretamente na Internet? Não se vai conseguir impedir é que novos serviços apareçam cada vez mais. É irreversível.
Quanto à segurança dos serviços, tudo vai se arranjando. As pessoas vão aprendendo a ter mais cuidado e as empresas a oferecer sistemas mais seguros.
Os donos do mercado vão reclamar. É justo. Mas terão que se adaptar. Terão que criar. Terão que competir.

É o futuro. Sempre chegando.

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